terça-feira, 11 de agosto de 2009

Cistite pode estar associada a segurar o xixi por muito tempo, diz médico

A cistite pode estar associada a maus hábitos como segurar o xixi por muito tempo, o que, com o passar dos anos, aumenta a capacidade da bexiga e pode dificultar o seu esvaziamento.Você já teve aquela vontade inexplicável de ir ao banheiro e, na hora, não saiu nada? Cuidado! Pode ser cistite, um processo infeccioso ou inflamatório que atinge a bexiga e, geralmente, vem acompanhado de ardência na saída da urina, grande dificuldade em segurá-la, dor abdominal, saída de sangue (hematúria) ou pus, mau cheiro e sensação de bexiga cheia mesmo após ter acabado de visitar o banheiro – pela milésima vez em vão.

A ardência é um dos sintomas que mais incomoda, não é? Ela é causada pelo processo inflamatório da bexiga e da uretra, que aumenta a sensibilidade local. Como o xixi é ácido, você tem aquela sensação terrível na hora em que ele passa pela região. “Normalmente, a urina é produzida o tempo todo pelo organismo e cai na bexiga, mas a vontade de ir ao banheiro só aparece depois que certo volume é armazenado. Com a cistite, qualquer quantidade dá uma forte sensação de que a bexiga está cheia, aumentando a freqüência urinária”, explica Nara Fabrícia Mattia, ginecologista e mastologista.

Incidência
A infecção é muito mais comum do que você imagina. Segundo a Universidade de Washington e a Divisão de Doenças Infecciosas da Universiadde de Land, na Suécia, uma em cada três mulheres até os 24 anos terá cistite com necessidade de tratamento com antibiótico; cerca de 50% de todas as mulheres terão ao menos uma cistite durante a vida e 30% das meninas jovens e saudáveis que sofrem da primeira inflamação terão uma segunda em até seis meses. Ficou espantada? Os números não param por aí: aproximadamente 150 milhões de infecções acontecem anualmente! “As mulheres têm 30 vezes mais cistite que os homens, principalmente por terem a uretra mais curta [5 cm] comparada com a masculina [22 cm]”, esclarece a médica.

A frequência também é muito maior em mulheres sexualmente ativas – independentemente da idade – por causa da proximidade entre a uretra feminina e a vagina. Os movimentos de penetração facilitam a introdução de bactérias até a bexiga e aí o terror começa!


Infecção
A cistite se dá por outras diversas formas como a manipulação da uretra por conta de sondagens e cirurgias; colocação de objetos; cálculos renais, doenças neurológicas, como diabetes, traumas de coluna e bexiga neurogênica; doenças ginecológicas; diminuição da imunidade local por causa de AIDS, diabetes ou gestação; pouca frequência urinária principalmente por pouca ingestão de líquido; hábitos inadequados de higiene; ou obstruções do trato urinário que dificultam a saída da urina, como malformações e estenoses – diminuição do calibre da uretra ou ureter.


Tratamento
Nas cistites agudas mais comuns, somente um exame de urina e seus sedimentos (urina tipo 1) fazem o diagnóstico. Mas, nas reincidências, cronicidades ou outros fatores causais associados, uma cultura de urina com antibiograma, cistoscopia, ultrassom das vias urinárias ou até um estudo completo de todo o aparelho excretor são necessários para tratar corretamente o problema.

A bactéria responsável por 80% das infecções urinárias é a Escherichia coli. “Na maioria das vezes, é uma infecção causada pelas bactérias presentes nas fezes. Nesses casos, são prescritos antibióticos específicos que acabam com a infecção”, conta Nara Fabrícia Mattia.

Aliás, não subestime, nem fique com preguiça de tratar a doença esperando que ela passe depois de alguns dias. Se não tratada, a cistite pode ascender para o trato urinário superior; em outras palavras: para o rim. “A pielonefrite é grave e pode levar à perda do rim, à infecção generalizada e até à morte, sobretudo em pessoas com baixa imunidade, como as gestantes”, alerta a especialista.


Fique de olho!
Quer prevenir a infecção e ter uma vida muito mais saudável? Siga as dicas!

• Beba muito líquido, pelo menos, 2 litros por dia;

• Relaxe! A depressão e o estresse podem diminuir a defesa do organismo, aumentando a incidência de várias doenças, inclusive a cistite;

• Não segure a urina por muito tempo para não diminuir a frequência urinária durante o dia;

• Se tiver diabetes, tenha total controle de sua doença e saiba o que está acontecendo em seu corpo;

• Previna-se e tome cuidado em relação às doenças ginecológicas e sexuais. Por mais que você saiba, use sempre camisinha;

• Após ir ao banheiro, limpe-se de frente para trás para evitar contaminação das bactérias das fezes;

• Coma mais frutas, legumes, verduras ou qualquer alimento rico em fibra;

• Procure tomar suco de cranberry – fruta muito popular nos Estados Unidos –, pois ela é muito indicada para combater a infecção urinária. Se for muito difícil encontrá-la, a maçã é excelente para a prevenção, apesar de não ter nenhuma comprovação científica;

• Nada de alimentos ácidos! Eles podem ativar as bactérias, provocando uma inflamação que dá ainda mais dor na hora de urinar, geralmente uma pequena uretrite;

• Chá de beldroega, de carqueja, de cavalinha e de quebra-pedra são ótimos recursos naturais para a prevenção. Mas, diante dos sintomas, consulte um médico para que o melhor tratamento seja prescrito;

• Os corrimentos aumentam a incidência de cistite. Procure tratar o mais rápido possível;

• As roupas íntimas que aumentam o calor local – como nylon e materiais sintéticos – propiciam a proliferação de bactérias ou fungos e, por isso, devem ser evitadas;

• Não use roupas muito apertadas, pois podem levar a pequenos traumas locais;

• A região íntima é muito sensível e possui proteção própria contra infecções, então não a lave excessivamente e evite ressecamento, perda de proteção e alergias. Apenas uma vez ao dia, use sabonete neutro, que tem pouco perfume e não produz espuma demais.

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